17 de julho de 2006

ENQUANTO O SOL ARDE

o país desmembra-se, derrete. famílias, as de gente livre e as de obrigação, empurram-se sobre o alcatrão escorregadio do mapa, em direcção às praias, aos festivais, à avó a quem se começa a telefonar em Junho e que tem um grande quintal, a mesa sempre posta e que fica contente por saber que a descendência não está morta, apesar do silêncio dos meses. os jornais ficam sem nada para escrever e desenterram o mexerico, escarafucham na não-notícia como quem é obrigado a tirar uma salsazinha dos dentes para manter o emprego. os livros de Verão flutuam até às prateleiras, levezinhos, levezinhos..., as páginas à prova de grãos de areia e de autoreflexão. faz tanto calor no nosso país que até as trovoadas seriam bem-vindas para alguns. mas as trovoadas são secas, não trazem nada dentro. mas que vida poderia coexistir com o agitar de asas das cigarras?

14 de julho de 2006

14 DE JULHO

Amanhã, a Inveja, a Imbecilidade e a Mesquinhez nacionais começam a ir a banhos.
Queira Deus que não regressem.
O país agradece.

10 de julho de 2006

LA VICTOIRE

Zidane ganha a bota de ouro do mundial.
Calculo que seja por não existir o prémio "Capacete de Ferro"...




6 de julho de 2006

na tempestade navega-se. a contragosto, contrariando o corpo do navio. quando os céus escurecem e as ondas se levantam à nossa volta parece que a morte nos atingirá mil vezes; que nada sob os nossos pés voltará a ser seguro. e contudo, ao parar para escutar vemos que é quase tudo barulho e luz; que os deuses que se riem de escárnio são vozes na nossa cabeça. na tempestade julgamos temer a morte mas é da vida que fugimos. por cima das nossas cabeças restam pássaros, pequenos, molhados, mas de asas abertas por entre as nuvens escuras. olho os meus pés descalços e vejo que ainda estão sobre tábuas feitas de uma árvore que um dia foi terrestre e agora se tornou em coisa marinha. e descubro que estou vivo. vivo no meio da tempestade, do vento que sopra, da chuva que cai. vivo, sobre a música das águas.

5 de julho de 2006

PRONTO, TÁ FEITO. ASSUNTO ARRUMADO

Por cá, todo o país está contente com os seus jogadores e treinador. Portugal resolveu seguir o exemplo brasileiro e deixar a França chegar à final. Mas lutaram com garra e coragem.
Não houve decepção. Apenas a ideia de que por uma vez, os lusitanos trabalharam bem.
Outros dias virão.

4 de julho de 2006

PESSIMISMO O(P)TIMISTA

Da Bahia chega-me esta charge optimista para os portugueses.
Provavelmente, vai ficar desactualizada já, já...




3 de julho de 2006

PARABÉNS!
Câmara municipal de Lisboa e o seu vereador pela organização do festival Village.
Todos os cinéfilos que sonham transformar Lisboa em São Francisco, agradecem.
Pena as salas vazias. Mas o que é isso ao lado de um ambiente tão alegre?!
NEVER ENDING STORY

"O presidente da Cinemateca Portuguesa, João Bénard da Costa, cuja comissão de serviço terminava hoje, foi reconduzido no cargo." in Público.
Depois de ter batido o pé e se ter auto-declarado insubstituível, Bénard da Costa não irá para o (nosso) bem merecido repouso. O homem que nos tem chagado a cabeça com o Johny Guitar, e com o mesmo filme do Antonioni há 26 anos, semana sim, semana sim, vai finalmente cumprir o seu dever de trazer aos contribuintes o mais inovador do cinema mundial. Assim, para a semana, espera-se o maravilhoso filme "Johny Guitar" e, para entusiasmo geral, vamos assistir a mais Antonioni.
Bem-haja a ministra que fez esta cedência e o primeiro-ministro que considera a cultura uma coisa simpática para a qual ninguém tem tempo.
Cada tiro, cada melro.

2 de julho de 2006

O SILÊNCIO MOMENTÂNEO DAS BANDEIRAS

Na minha rua, a enorme comunidade brasileira ficou calada de triste, por um momento. Foi pena, claro, ver partir o Brasil, candidato natural à copa. Mas o jogo tem dessas coisas.
Agora já se começa a ouvir, aqui em Lisboa, um "estamos com Portugal". Um voto com sotaque nordestino, paulista, baiano...
Pelo lado positivo, ficamos todos irmãos de novo. Ao menos isso.
Abraço para os amigos do outro lado.

1 de julho de 2006

HORÓSCOPO DO DIA

Hoje é sábado e faz sol. Estou sentado em casa, como na praia, o vento levanta-se um pouco e há areia que me incomoda de vez em quando. Mas ainda assim, há entre mim e o barulho das aves que grasnam e sujam as plantas com excrementos uma arriba fóssil. Hoje é sábado e não é o sábado mais perfeito de sempre. Mas ainda assim é o final de uma semana longa, feita de dias e mais dias.
Amanhã será domingo, ou não. Que importa?

Joaquin Sorolla

29 de junho de 2006

QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO (DE MINAS)

Durante o jogo do Brasil, gabo o estilo da equipa perante os protestos da progenitura: "Desde que voltaste de lá que estás mais... "brasileiro".
Não sei por que diz isso. Só porque estou a terminar um romance que fala desse país continente, enquanto na minha mesa repousa um Guaraná Antártica, um mapa (danificadíssimo) do mesmo país e nos auscultadores toca a guitarra caipira de Helena Meirelles... É má vontade, no mínimo.
Na verdade, o que eu fiquei foi um tiquinho "maior". Mas isso não dá para ver ;)

28 de junho de 2006

É URGENTE O AMOR . À ARTE

Ontem, por mero acaso, visitei a Fnac à hora do lançamento do livro "Retrovisor - Uma biografia musical de Sérgio Godinho", do Nuno Galopim. Não cheguei a tempo da apresentação, mas ainda pude cumprimentar um dos meus raros ídolos. Devo-lhe horas de alegria infindáveis há mais de vinte anos (pensando bem..., bem mais de vinte anos, god damn it!). Foi o poeta dos anos 80 e cada palavra que fez o favor de nos cantar continua a fazer o mesmo sentido.
O livro é lançado pela Assírio, outra das editoras a quem devemos a melhor poesia (para não mencionar em edições antigas, o Mishima e por aí fora, no campo da prosa). Não estava lá a multidão que parece ter-se acotovelado uns dias antes por um autógrafo da Floribela, ou lá como é que se chama a rapariguita das novelas.
Por isso mesmo, é preciso abraçar os bons. E aqueles que gostam dos bons. Os que distinguem entre o hamburguer enfiado pela boca abaixo pela televisão e a obra original. Seja na literatura, na música ou noutra arte qualquer.
Seria tudo mais simples se a minoria dos que perdem tempo a escutar o mundo se unisse, passasse palavra e se mobilizasse para ir "lá" cumprimentar, dar um abraço, dizer ao artista que não está sozinho...


25 de junho de 2006

OS JOGOS

Lá passámos. À batatada e corridos a cartões do homem de amarelo, é certo.
Nas ruas, toca a buzinar e a correr para o Marquês de Pombal (rotunda do centro de Lisboa).
Apesar do jogo ter sido muito pouco jogo, ainda assim foi uma vitória. Por uns dias, Portugal vai levantar uns centímetros da calçada.
Vamos.

22 de junho de 2006

O CAMPEONATO

Claro que torço por Portugal como toda a gente. Mesmo pela nossa Estrelita Merchiana, que joga sozinho e adora o som das vozes excitadas com a sua corrida.
E sem perceber um boi de futebol, salta-me à vista o trabalho do treinador. A forma organizada como o gaúcho meteu os craques lusitanos a jogarem entre si.
Se aí no Brasil ainda há quem acredite que os portugueses não amam os brasileiros, desenganem-se: mais uma passagem de fase no mundial e vamos andar todos com um gigantesco "S" na camisola
;)
SEM NET

Olá a todos. Com a maldição da net caída sobre os ombros, não tenho podido escrever aqui nada. Nem ler os vossos comentários.
Acrescente-se a isto, a pilha de nervos, por ter assinado contrato com uma produtora louca que ganhou um subsídio (sabe Deus como) para um filme e que insiste em querer reavivar o pavoroso cinema português dos anos 80 ("Actriz para isto era a Victoria Abril... ou talvez uma Assumpta Serna..."), e compreenderão como fico agradecido por ver as vossas palavras simpáticas.
O LIVRO DA GLÓRIA começou a ser escrito há vários anos (o que me dá vontade de rir, antecipada, porque alguns dos temas tratados, explodiram nos últimos tempos e não faltará quem os considere "copiados da realidade actual" :) Enfim... A literatura é isto mesmo: o tempo perde a sua linearidade e acabamos todos por ser Paulos Cardosos involuntários, lol).
Espero que gostem e que ele saia a tempo...
Se a maluca não me enlouquecer entretanto, claro.

14 de junho de 2006


AO PRINCÍPIO ESTRANHA, DEPOIS...

"O Presidente da República, Cavaco Silva...", estava eu a ler no Público. Achei a frase esquisita...
Mas calculo que com o tempo a gente se habitue.
Como quando se mete o pé numa poça de chuva e ficamos com as peúgas molhadas o dia todo...

12 de junho de 2006

AGORA A MINHA FEIRA PESSOAL :)
(SÓ UM LANÇAMENTO E PRONTO)

Para os meus cinco leitores interessados, estou a terminar o meu próximo romance. A sair em Outubro.

"O Livro da Glória"

Sussurro aqui o título.
Shhsttt... Fica entre nós.
FEIRA DO LIVRO

Como diria o meu amigo B.B.: "Bom, isto passou-se..."
Não dei pela programação cultural. Muito menos pelo país convidado (que tem uma literatura cada vez mais forte e variada). Nos dois casos, é pena.
Alguém escrevia, ontem, num jornal, que já não há pachorra para ler o que se diz sobre as feiras do livro. E, contudo...
O facto é, que me lembre, a única que teve um sucesso claro, foi a organizada pela Clara Ferreira Alves e a casa Fernando Pessoa. As últimas, coordenadas por gente com mérito e que estimo, foram ou elitistas, ou pura simplesmente desinteressantes. Este ano, nem ninguém deu por nada. Estou a falar de Lisboa. No Porto, não sei.
Há qualquer coisa de festa entre os apreciadores de livros que não aconteceu. Sim, compraram-se alguns. Sim, os jacarandás continuavam em flor. E sim, nós, os autores, já temos umas cadeirinhas mais confortáveis do que as plásticas do AKI com que nos costumavam brindar.
Mas ainda não se encontrou a fórmula que reúna um grande número de visitantes, a aproximação entre quem escreve e quem lê e a possibilidade de promover debates e lançamentos que interessem às pessoas.
Já não há pachorra, nisso a senhora tem razão, mas muitos de nós, sentimos que as feiras do livro são cada vez mais oportunidades perdidas.

6 de junho de 2006

permitam-me que repita um post antigo. estava a pensar em literatura e não me ocorre nada melhor



"
O SILÊNCIO
Porque é que os melhores do mundo são geralmente os que menos se ouvem?
Deve ser pela mesma razão que as plantas saem da terra em silêncio..."

5 de junho de 2006

FEIRA DO LIVRO

Falta-me o tempo, para o que costuma ser o meu viciante hábito de subir e descer as ruas de quiosques livrescos.
Estou a ver que só dia 11 é que me organizo para lá estar.
(Suspiro)
Vida de escritor/pintor de casas é dura...
A IMPORTÂNCIA DE SE CHAMAR FUTEBOLISTA

"Arrogantes de merda" é a expressão que me vem à cabeça quando vejo as estrelitas da seleccão nacional passar em velocidade de cometa, a cara fechada, em frente da multidão de emigrantes que se deslocou para os apoiar. Alguns fizeram centenas de quilómetros para ver de perto um bocadinho de "Portugal". Qualquer pessoa que não fosse uma besta malcriada teria percebido que aquela multidão não é a mesma que está à porta do estádio nacional. É gente fragilizada pela distância; gente que ama mais o país do que nós que estamos em cima dele e só lhe vemos os defeitos. Custava alguma coisa abrandar, sorrir e agradecer o carinho que lhes estavam a oferecer? Parece-me que não.
Se os nossos internacionais, com os seus salários milionários e as suas roupas e carros de milhões querem armar em estrelas, então aprendam com as de Hollywood. No meio da multidão, não há nenhuma que não pare para cumprimentar os fãs, deixar que levem uma rápida foto para casa e a ilusão de terem roçado o sonho. Os nossos, não. Emigrantes dourados, quase todos, tratam os outros emigrantes como um monte de lixo que foi ali porque quis...
Não é bonita, a expressão, mas "arrogantes de merda" é a que melhor serve esta equipa.

31 de maio de 2006


AFINAL HOUVE UM PRÉMIO

Numa das páginas dedicadas ao festival da eurovisão vinha a notícia:

"Lordi comes second
Nonstop wins Barbara Dex award 2006
Nonstop, the group which represented Portugal at this year's Eurovision Song Contest, won the Barbara Dex Award, the fan award for the worst costume at the competition, by a landslide. Lordi comes second.
The top-10 of this year's Barbara Dex award:
1. Portugal - Nonstop - 196 votes2. Finland - Lordi - 89 votes3. Iceland - Silvia Night - 75 votes4. Andorra - Jennifer - 72 votes5. Poland - Ich Troje - 62 votes6. Belarus - Polina Smolova - 57 votes Greece - Anna Vissi - 57 votes8. Turkey - Sibel Tuzun - 40 votes9. Malta - Fabrizio Faniello - 35 votes10. Russia - Dima Bilan - 26 votes
The award is named after Barbara Dex, who represented Belgium in the 1993 contest. She wore an "awfull, self-made dress that evening", the organisers of the annual award state at their website.
Six4one, Eddie Butler and Christine Guldbrandsen survived the vote; none of them got any votes for the Barbara Dex award."

Portugal à frente da Finlândia... Sim, senhor!

30 de maio de 2006

PROFESSORES
Não conheço um único que não se sinta atacado desde que este governo entrou em funções. Ao contrário do que se tenta passar, não está em causa o facto de a maioria dos docentes (do básico e secundário, sempre, já que o universitário - onde residem problemas superiormente graves, no meu entender - continua intocável, ou não fossem ou tivessem sido ou quisessem vir a ser, os ministros e secretários de estado, professores) quer passar a vida de férias, sem ser avaliado a não fazer nada. A situação é diferente. Este governo, como os anteriores olha para o orçamento da educação e vê que a grande fatia vai para os salários dos professores. Acha que ganham muito para os resultados pobres que apresentam. Não percebe que o problema dos resultados está no modelo de ensino inadequado para a sociedade contemporânea.
Acha que resolve tudo, obrigando os professores a cumprirem um horário de empregado de repartição. Não contabilizam as horas e horas que eles passam a preparar materiais e metodologias. Nem o tempo que roubam às famílas na tentativa de resolverem mentalmente questões de relacionamento pedagógico das suas turmas. Querem que eles sejam avaliados e, de preferência, despedidos.
Nem que para isso tenham de meter os pais ao barulho. Aqueles que nunca aparecem nas reuniões, os que só querem que os filhos passem e não chateiem, os que não querem ter de pensar no final do dia no telefonema da directora de turma a afirmar que o seu anjinho de cabelos louros mandou a professora de matemática para as partes baixas, enquanto esmurrava um colega.
Na verdade, nem serão esses a avaliar aquilo de que não percebem, nem viram. Serão sim, os inúteis das actas, os parasitas das associações, que não tendo nada que fazer na vida se organizam em comités de ignorantes promovidos, aproveitando o poder que a competência nunca lhes deu.
O governo julga que estas medidas são do mesmo calibre das que retiram os privilégios às forças armadas ou o lugar de camarote aos padres nas cerimónias laicas. Mas engana-se. Engana-se nos pressupostos de preguiça da maioria dos docentes e na ligeireza das consequências de retirar aos docentes o resto do prestígio e autoestima que ainda lhes restava. Se é uma sociedade em que as crianças e jovens não revejam qualquer modelo a seguir que pretendem, então, estão no caminho certo. Agora preparem-se para os anos da velhice em que estenderão a mão para atravessar uma rua movimentada...

28 de maio de 2006

JARDINAGENS

O ditador da Madeira disse mais um chorrilho de disparates (largamente aplaudidos, pelos interessados) ao discursar localmente. Anda chateado com esta coisa de ter alguns deveres para com o país que assegura a independência (e o financiamento das estruturas) do território.
Um dia destes, as negociatas e "corruptelas" que inevitavelmente existem debaixo deste regime com 30 anos (faltam 18 para voltar a celebrar-se o 25 de Abril, suponho...) virão ao de cima.
Nessa altura vai ser interessante ouvir o discurso dos dirigentes do PSD que durante todo este tempo alimentaram esta situação com a sua conivência interesseira. Por exemplo, o actual secretário-geral, Marques Mendes, que foi ao território laudar o grande líder.
Uma terra tão boa mereceria melhor sorte.

26 de maio de 2006

PRÉMIOS 2

O meu amigo e escritor, Carlos Barbosa, pede-me que comente a recusa do prémio Camões pelo escritor angolano, Luandino Vieira.
Não tenho nada a dizer. os prémios são nada. Ninguém que escreva para ser aclamado pelos seus contemporâneos chegou alguma vez à posteridade. Luandino terá recusado em função de viver uma vida que não precisa de honrarias (nem dos 100.000 euros). Não é o primeiro. Herberto Helder, o nosso maior poeta vivo, recusou o prémio Pessoa (altamente remunerado, igualmente) há vários anos atrás.
Que eles têm razão, não me oferece dúvidas.
Que a maioria de nós não teria o mesmo discernimento, também...

23 de maio de 2006

TAMBÉM PERCEBO DO CÓDIGO (ACHO...)

Depois de ler atentamente a revista Visão (nomeadamente uma caixa agressiva em que a/o jornalista atacava à dentada a Sofia Aparício por esta se dispôr a participar numa manifestação contra as touradas - abra-se aqui um parentesis para referir que a actriz-modelo, pode não ser grande a representar, mas que sabe muito bem aguentar-se com as tentativas de apoucamento, serôdias, isso sabe) julgo ter descoberto mais uma infiltração da opus dei. É nos produtos de beleza para homem.
Ora repare-se neste anúncio da Vichy: "A firmeza da pele depende do seu stock de silício - SILICIUM - R".
Sou capaz de ir escrever um bestseller (daqui até logo à tarde, no máximo) sobre o assunto...
"CODEX CILLICIUM" seria um bom título.
PRÉMIOS
Não serve de nada, uma vez que as vendas de um livro não aumentam com prémios e muito menos com críticas (já com polémicas cretinas nos jornais a coisa pode ajudar...), mas ainda assim registo com agrado a atribuição do prémio APE (Associação Portuguesa de Escritores) ao poeta José Agostinho Baptista. Uma escrita para lá da neve suja em que metemos todos os pés.
APITAS BEM MAS...

Notícia do Público: "O processo Apito Dourado está suspenso por decisão do juiz do Tribunal de Gondomar. A suspensão foi determinada depois de Carlos Teixeira, o magistrado do Ministério Público titular dos autos, avançar, ele próprio, com um pedido de escusa, argumentando que não tem condições para continuar a liderar a acusação pública.". A decisão passou agora para o superior do referido juiz... em Gondomar.
É preciso fazer algum comentário a isto? Ou (hipótese mais risível) prever o desfecho do único grande processo que tentou pôr a nu a óbvia relação entre o futebol e o dinheiro sujo?
Para quê? É o país que temos, com uma justiça que prefere a forma ao conteúdo. Ou não fosse esta a forma mais fácil de safar os peixes de esgoto do anzol.
FILMES

Em época de acalmia de festivais (Cannes está longe da carteira e do coração) é tempo de ir de novo ao cinema comercial. É preciso é ter cuidado não se vá parar a uma sala com o pavoroso Código da Vinci (o homem deve estar às voltas na tumba...).

OS PRODUTORES foi uma escolha feliz, no domingo :)

ps. este é um dos posts mais insípidos de sempre... Mas horas de pinturas de parede, carregamento de latas e trinchas pelas ruas de Lisboa e um finalizar de dia a trabalhar no tratamento de um filme com deadline para quinta-feira só podia dar nisto...
(suspiro) Dias mais sábios virão.

21 de maio de 2006

FESTIVAL DA CANÇÃO

...Eu sei: não interessa nem ao menino Jesus, as canções são uma piroseira e por aí fora.
Mas um lado muito antigo nosso ainda faz com que se torça por Portugal e se gosta de ouvir "Chanson numero un: douze points" :)
Este ano, o Eládio Clímaco, surpreendentemente vivo, ia tendo uma síncope com a vitória da Finlândia e os seus "monstrinhos" (sic). Já não se fazem baladas como dantes, helàs... Pobre homem.
Portugal nem passou à final. Não se percebe por quê. Talvez por ter sido representado por um grupo onde ninguém sabia cantar, as coreografias serem de sexta-feira à noite entre amigas bêbadas e irem vestidas com umas coisas que só me ocorre classificar como "panquecas de penas"...
Não sou um especialista, mas sinto que houve aqui uma grande injustiça. Oh, lá!

17 de maio de 2006

TUDO AO TOURIL

Com pompa, circunstância e contentamento geral, inaugurou-se o novo centro comercial de Lisboa, a praça do Campo Pequeno. Não deve haver macaco neste país que não esteja a pensar passar por lá, tal foi o cagaçal criado pelas televisões nacionais.
Este centro comercial tem uma particularidade, serve regularmente para torturar animais para gozo dos "aficionados". Foi aliás elucidativo ver as caras contentes do público colunável, ao escutar os instrumentos musicais que acompanhavam a entrada de vinte ou trinta centímetros de ferro no corpo de um animal. O sangue a jorrar, o La Féria a ganhar e o país que nós somos a saltar.
Até o Alberto João gostou. O que é dizer tudo.
Portugal está de novo no seu melhor: 200.000 (ou 400.000, conforme as fontes) em Fátima, a escutar um homem que conta como Nossa Senhora desceu dos céus e meteu a mão à frente arma que iria matar o papa da altura.
O fado é atacado em plenos pulmões, com mulheres e selins, meninas das tranças pretas e quejandas.
E a tourada volta em esplendor a alegrar os serões monótonos.
Só falta ressuscitar o Marcelo Caetano e as suas conversas em família para estarmos de novo no 24 de Abril de 1974...

16 de maio de 2006

A FRASE DA SEMANA COM MATERNIDADES À MISTURA

O debate televisivo, na RTP, sobre o encerramento de alguns blocos de parto pelo país foi elucidativo.
As populações sentem-se por não poderem nascer na sua terra. Claro que isso já acontece com todas as pessoas que vivem em aldeias ou em vilas com poucos habitantes: o número não permite a manutenção do serviço. Mas, enfim, as pessoas aborrecem-se e a gente percebe.
Também ficou muito claro o papel dos políticos em tudo isto. Pelo Psd, foi o senhor Negrão (que parece, geriu a neo-pide portuguesa, o SIS, durante uns tempos, tirando isso, não sei o que terá feito) e que esgrimiu os argumentos mais cretinos e demagógicos da noite. Nem outra coisa seria de esperar de uma figura que transpira ambição e falta de inteligência por todos os poros. (Posso estar enganado..., claro, se assim for, aqui fica a retratação.).
Uma enfermeira de Braga veio lembrar aos pomposos obstetras que quem faz os partos quase todos são elas. Alombam com o esforço, sem glória nem salário.
Mas a declaração da noite veio da obstetra de Barcelos, um bocadinho atarantada com a direcção da conversa. Quase a finalizar o debate declarou convicta:
"Eu sou uma Vaginalista!"
Que dizer...? Que não está sozinha, no opção..., enfim...

12 de maio de 2006


AINDA A QUESTÃO DA PRODUTIVIDADE

Ontem fui obrigado a esperar 4 horas numa casa vazia pelo senhor da EPAL (companhia das águas). Poderia estar a trabalhar, a ajudar velhinhas a atravessar a rua, ou a limpar as paragens de autocarro das resmas de beatas... Mas não: se queria ter água na torneira tinha de aguardar entre as 14h e as 18h. Na ocorrência, o senhor chegou às 18.35h (o dia tinha-lhe corrido mal).
Escusado será dizer que solicitei que me dessem a hora exacta da ligação presencial. Ou a hora aproximada. Ou que me telefonassem um pouco antes. Que não. Que a regra é perder meio-dia de trabalho. E bem bom que não foram 8 horas...
Será que somos tão poucos a citar o nosso cavaco na sua única frase de jeito: "deixem-nos trabalhar"...?

8 de maio de 2006

OS PÉS NA TERRA E A MÃO NA MASSA

Descobriu-se, hoje, graças a um recado da Comissão Europeia, que o facto de se produzir pouco em Portugal conduzirá a uma pobreza generalizada em 2050. Imagino que antes disso, já seja chato por cá andar. Lá vão ter os nossos filhos que ir à arrecadação buscar as malas de cartão.
Nada a que não estejamos habituados.
Depois, lá fora, vão trabalhar normalmente. Dez vezes mais do que faziam cá dentro.
Então, de onde vem esta preguiça nacional?
Não tenho a certeza. Em parte, julgo que vem do rescaldo da pós-ditadura. Depois de 48 anos sem outro direito que não fosse o de encher o cu aos mais ricos (interessante, a lavagem revisionista que uma geração mais velha e ressentida está a fazer do 25 de Abril, com a cooperação ignorante de uma geração que não faz ideia do que foi a Pide, o corporativismo, ou a troca de favores entre os grandes empresários e bancários com um governo corrupto, enquanto a maioria dos portugueses tentava descolar a pele do fundo das costas...), a gente empregada, acreditou que tinha chegado a hora de ganhar sem fazer nada. Para isso contribuiram (e continuam a contribuir) as organizações sindicais, inspiradas em princípios que foram buscar sabe deus onde. A própria prática sindical, que movimenta massas para não perder os tachos que lhes pagam as rendas há 30 anos, é exemplo disso.
No outro dia, no Chiado, um grupo de "jovens ferroviários", manifestava-se em favor da não-alteração dos seus direitos. Além do inenarrável "Arre porra que é demais", tão em moda no mundo levanta-te e ri da CGTP, exigiam que não "lhes tirassem a Pausa". E sentavam-se, quando diziam isto. Não tinham um ar particularmente cansado. Mas ainda assim, de todos os "direitos adquiridos", a "pausa" era a que falava mais alto nos seus corações.
Enquanto professor (ocasional), tenho encontrado nos últimos anos duas coisas nas gerações mais novas: a) uma profunda ignorância e total desinteresse por acabar com ela. b) a sua primeira preocupação é que "não lhes dê trabalho". Querem ir para casa, ou para o computador "comunicar". Ignorância e preguiça tornaram-se a base da sociedade portuguesa.
O que esperar disto? A pobreza e a perplexidade, quando descobrirem (pela televisão) que a chuva de maná só ocorreu uma vez e foi há muito tempo.
Claro que ainda vão ter que ir ao google descobrir o que diabo era o maná...
Socorro! Tirem-me deste filme...

6 de maio de 2006

MÃES DE PORTUGAL: AINDA HÁ ESPERANÇA!





Televisão pública comemora o dia da Mãe. É nestas alturas que um homem se sente mais pequeno.

5 de maio de 2006

ABRANDAR

Anda tudo cá, pela cidade, a pensar em "como fazer os carros ir mais devagar". Parece que os atropelamentos estarão um cadinho acima do razoável. Na cãmara, vá o departamento de espremer as meninges. Para a 24 de Julho, onde todas as semanas se estropia alguém, estão a considerar um complicadíssimo sistema electrónico.
(suspiro)
Algum amigo brasileiro que esteja na sala, faça favor de dar um passo em frente e explicar o que quer dizer "quebra-molas".

ps: ...como ninguém se adianta, chego-me eu à frente, para dizer que se trata das lombas artificiais que atravessam as estradas, feitas de cimento e sinalizadas antecipadamente. Vou voltar a explicar (porque aquela gente é lenta) : umas saquinhas de cimento, mais umas de pedra, brita, ou o que houver, uns baldes de água, tudo misturado, deita-se horizontalmente na via e deixa-se secar. Quem passar por ali, tem duas opções: a) abranda, b) escavaca o carro todo.
Posso garantir que a eficácia é de 100%. Custa é tão pouco que não há-de dar lucro a ninguém próximo da vereação, helàs!
Muito simples para a nossa cagança, também.
HOJE
comprei uma casa. Do tamanho de um lenço de assoar, é certo. E "comprei" é um exagero verbal atendendo aos próximos trinta e tal anos de dívida.
Mas, ainda assim, as paredes por pintar me pareceram amplas; cheias de promessas.
Algum livro escreverei ali dentro. Não sei é qual. Ainda está tudo em branco.

4 de maio de 2006

HÁ DIAS EM QUE AS ROSAS FLORESCEM COM MAIS DIFICULDADE


MODELO SOCIAL

Hoje ouvi a mais extraordinária declaração de um político. Pareceu-me sincera.
O deputado (creio) do CDS (não me lembro o nome...) que participa do programa televisivo "A Quadratura do Círculo" afirmava que gostaria que em Portugal o Estado tratasse as pessoas da mesma forma, independentemente dos seus rendimentos. Historicamente a sua posição situa-se no final do feudalismo. Mas ao contrário. O que ele propõe, pressuponho, é que quem ganha mais desconte o mesmo, pague as mesmas taxas moderadoras nas instituições públicas e por aí fora.
É o princípio do "se és pobre, a culpa é tua".
No fundo estaria certo... Se a maioria dos portugueses não achasse que é melhor viver numa sociedade com menos miséria ainda que a maior riqueza pague um preço. Aquilo que os padres chamavam dantes "caridade" e que agora se pensa mais como "solidariedade" (que é o mesmo sem pedir o beija-mão agradecido).

Por falar em desgraças. 85% dos pensionistas portugueses ganham menos que o salário mínimo nacional português. E o número impressionante de 3000 ganha reforma milionárias.
Fiz uma conta por alto (ainda inspirado pela presidência cavaquista) e em números redondos diria que estes eurototalistas levam do erário cerca de 15 milhões de euros por mês. Ou seja, o equivalente a 42.858 reformados normais.

Alguém que me explique a razão por que esta situação me deixa perplexo...

3 de maio de 2006

NADAR EM SECO

A cãmara de Lisboa continua de vento em popa. Cada tiro, cada melro.
A última é a decisão de impedir a ida ocasional dos munícipes às piscinas públicas. Ou antes, podem ir, mas com novo equipamento. Por exemplo, se um de nós se lembrar de pegar nas crianças e ir ao domingo de manhã à piscina do Areeiro, por exemplo, vai dar com o nariz na porta, se não levar uma declaração médica para cada membro da família. O atestado, até agora obrigatório apenas para as aulas, passa a ter de fazer parte da nossa carteira se quisermos nadar nas piscinas criadas e mantidas com os nossos impostos. Como a validade é de 6 meses, seremos obrigados a largar 60 ou 70 euros por um papelito duas vezes por ano, vezes o número de membros da família. Ou a perder dois dias de trabalho por ano, para ir ao médico de família (se conseguirmos consulta).
Claro... que este gesto paternalista, em prol da nossa condição cardíaca, poderia ser substituida por um papelinho, assinado à entrada, em que ilibávamos de responsabilidades a entidade camarária.
Mas, claro, o lóbi dos médico (que é distinto dos próprios médicos, bem mais honestos e simples) aliado à patetice camarária prefere uma situação mais onerosa.
Enfim, lá vamos pôr a natação de parte.



2 de maio de 2006

O PRAZER DOS OUTROS

Entrevistaram-me, ontem, a propósito desta minha mania de, uma vez por ano, organizar um workshop de "escrita livre". Em que autores fundamentava as minhas teorias? Onde tinha aprendido? E se dessas moitas já tinha saído coelho? Foi bom, porque percebi que a resposta era negativa em quase todos os casos. Menos no último, já que vi emergir da neblina dos seus textos várias pessoas. Algumas continuam a escrever. Algumas publicarão, para bem de nós todos, um dia destes.
Neguei (e continuo pouco interessado) os manuais do "Como escrever um livro". Os americanos pelam-se por isso. Os espíritos mais simples, ídem. Mas nem a literatura se faz de simplismos, nem nós necessitamos de mais livritos razoavelmente escritos. A criação literária é uma chatice incómoda. Vem de dentro para fora. Como um parto. Como um bebé sujo de placenta e líquidos em que não apetece pegar, quanto mais mostrar ao mundo. Sabe-se que alguém o amará e que temos de o proteger, mas não é bonito, objectivamente falando. Mas é desse montinho de carne que mexe que virá o futuro. A escrita, a verdadeira, é sobre o que não se conhece. É por isso que é tão difícil ser escritor.
Só os patetas não entendem isto. Os ignaros que se refugiam nas teorias literárias para tentar provar o que é bom e o que é mau.
Os exercícios de escrita que proponho são inúteis para quem quer ser como os escritores que admira. Esses existiram e agora estão mortos, excepto nos seus livros. Nunca mais voltarão em carne ou gesto. Só nos resta ser o outro. Ainda que o outro seja menor.
ESTAVA A VER QUE NÃO

O blogue enlouqueceu por uns dias. Pediu descanso. Não quis publicar nada. Hoje actualizou-se, felizmente. Por momentos julguei-me afónico.
Fónix!

24 de abril de 2006

A SEMANA AO TOQUE DA CORNETA!

Chega a 2a-feira à bruta. Com campainhas de porta, manhã cedo. Carteiros trazendo coisas registadas que se são registadas serão por certos coisas, e dificilmente boas. O sol está lá fora, valha-nos isso, mas aqui dentro ainda não aquecemos. É mais o entorpecimento do fim-de-semana que não aconteceu.Que alguém mande chamar o criado que toma conta da carruagem das vitaminas! Please.

21 de abril de 2006

INDIE - DIA 1

Abriu ontem, com o filme da Miranda July, "Me and You and Everyone We Know" e disparou com mais cinco sessões (a maioria esgotada).
Ao consultar o programa chega-se sempre à mesma conclusão: não dá para ver tudo, nem que se mude para uma tenda no jardim ao lado.
Até dia 29, o Indie volta a provar que um festival feito por pessoas que entendem realmente de cinema contemporâneo, que trabalham como doidos durante um ano inteiro, suportando os atrasos nos pagamentos das entidades apoiantes (nomeadamente a Câmara e o ICAM), se pode tornar num caso sério.
Bastaria ver a forma ingénua com que o Fantasporto está a gastar o orçamento em publicidade para promover uma mostra em Lisboa, agressivamente marcada para as mesmas datas, e as tentativas de intimidação junto de realizadores portugueses que outros festivais começaram a fazer, para perceber a importância do Indie. E neste parágrafo resume-se o princípio trágico dos portugueses: toda o sucesso que resulte do trabalho sério e honesto será sabotado. Para que não fique de exemplo.
No entretanto, é irmos vendo alguns dos melhores filmes feitos no mundo neste último ano ;)
POR CÁ, NUNCA! (PELO MENOS ATÉ ACONTECER)

"O Parlamento da Bélgica aprovou ontem à noite um projecto de lei que autoriza a adopção de crianças por casais homossexuais", in Público.

A gente por cá, nem pensar. Crianças só entregamos a pais e avós que as queimam vivas, antes de as deitarem ao Douro, a mães que as cortam em pedaços e alimentam os porcos com elas, ou a pais alcoólicos que lhes batem e as violam até que saiam de casa.
Citando o director do Refúgio Aboím Ascensão, há um ano atrás, "Mais vale que fiquem a vida toda numa instituição do que serem criados por não-heterossexuais".

Calculo que entre as faltas ao Parlamento e o regresso do escritório de advocacia onde acumulam, os nossos deputados se sintam reconfortados com a ideia que o mais importante é impedir a pandemia gay...

20 de abril de 2006

A NOSSA LAS VEGAS

Ai que grande alegria: abriu mais um casino.
O povo mobilizou-se para ver as senhoras chegar de vestido de noite e os senhores muito ricos, ou muito endividados, a sair do parque de estacionamento. Houve muita passadeira vermelha e muito fogo de artíficio. As televisões em directo e toda a gente a dizer: "Aqui é só espectáculos e máquinas a 1 cêntimento a manivelada. Qual ganhar dinheiro? Os proprietários só querem a alegria de todos. O senhor Ho é um santo tão grande como o abençoado Rat Singer".
Fiquei emocionado. Ainda há bons corações.
Mais um sonho do querido Santana Lopes tornado real. Um túnel de fichas, no fundo.
Alvíssaras! Alvíssaras! Chegou o nosso casino.

18 de abril de 2006


MATERNA DOÇURA - LISBOA

Chega finalmente a Lisboa, a adaptação do romance MATERNA DOÇURA, pelo grupo de teatro Trigo Limpo/ACERT.
Com uma digressão feliz por muitas localidades, o espectáculo poderá ser visto no Teatro Cinearte (em Santos), nos dias 28, 29 e 30 de Abril e 1 de Maio.
Os interessados que metam já na agenda, para não se esquecerem.



MORRER NA ESTRADA

A GNR está satisfeita: este ano só morreram de imediato 10 pessoas, nos 1244 acidentes registados. As restantes 25 vítimas em estado grave ainda levarão uns dias a dividirem-se entre "ligeiras" e "fatais". O ano passado foi pior, daí a alegria da nossa guarda.
Os funcionários da Prevenção Rodoviária é que estão chateados. O governo só lhes quer dar 1 milhão de euros para (deduzo eu) salários, percentagens às agências de publicidade e pagamento de materiais. Terá preferido investir nos equipamentos dos já citados guardas. Na entrevista à SIC Notícias, o representante da referida associação fartou-se de falar de dinheiro, sem nunca referir a eficácia das campanhas. Pois eu tenho uma ideia sobre esses resultados: sempre que saio de carro, vejo a minha vida e a da minha família ameaçada. Condutores que ultrapassam em curvas, sobre traços contínuos; gente que se atira para cima de mim se pretendo mudar de faixa (assinalando, atempadamente, a coisa, note-se) e ainda me buzina e chama maluco; pamonhas que andam a 60 à hora nas estradas nacionais, em todos os sítios em que a lei e o bom senso não permitem ultrapassagens para mal avistam um sinal de final da proibição começarem a acelerar (as vezes em que sou forçado disputar a passagem com velhos lunáticos e tipos agarrados ao volante, enquanto avisto a aproximação de um carro de frente, dariam para encher um livro). Quando ouço os resultados das intervenções da Brigada de Trânsito, fico com os ouvidos cheios de "documentação irregular", "cinto mal posto" e "colete luminescente não-homologado pela CEE". Raramente ouço falar em detenção por manobra perigosa, condução em máximos E excesso de velocidade, entre outras situações com que me deparo sempre que conduzo. Não é "às vezes": é "sempre".
Quando saímos para fora das cidades, na Páscoa, integramos um grupo, do qual várias pessoas morrerão ou ficarão com danos irreparáveis. Esperamos apenas que ainda não seja a nossa vez. Essa é a prevenção que temos.

17 de abril de 2006


OPUS BROWN

A seita religiosa que mais amigos tem na banca portuguesa, para não mencionar em grupos de media e na organização que nos alegra semanalmente com o Euromilhões, veio pedir à Sony que, por amor de Jesus, não distribuisse o filme que lhe custou milhões de dólares a produzir.
Eu acho que uma ingenuidade destas (que só tem paralelo com a crença nas aparições e nas virgens sangradoras) mereceria a comoção dos proprietários japoneses. Mas enfim, se for exbido será por vontade de Deus. E quer a Opus Dei perceba ou não, os caminhos do Senhor são insondáveis.



INDIE LISBOA

É já na quinta-feira que começa a 3a edição do mais importante festival de cinema português, o Indie. Centenas de filmes, curtas e longas metragens, uma mostra de cinema sueco e novas secções especializadas, como o IndieMusic e o Laboratório (para o people MUUUITTO radical) vão criar um rodopio de gente na Avenida de Roma.
Para os mais portugueses, isto é, que guardam tudo para a hora, vou adiantando que a venda de bilhetes já abriu, as salas são de dimensão média, e que as meninas da bilheteira estão fartas de dar à unha... Enfim, cada um sabe de si (e Deus coitado é que tem que aguentar com todos). De 20 a 30 de Abril, nos cinemas King, Londres e Fórum Lisboa.
FÉRIAS DOS TRIBUNAIS - A SAGA CONTINUA

Uma juíza vai decidir se os juízes devem ou não ter dois meses de férias mais uma vez. A Associação Sindical para a Malandrice da Justiça (creio ser esta a denominação, mas posso estar errado...) interpôs um processo contra a ordem do Ministério da Justiça, que caberá à magistrada decidir.
Atendendo à escolha que os juízes fizeram do seu bastonário, tenho a certeza de que não haverá lugar para posições corporativistas...
(socorro!)
MANUAL DE DIREITOS DE AUTOR

Quem compra os manuais escolares sabe quanto é que custa cada um. Quem lida com o mundo editorial sabe que as maiores editoras nacionais são as que publicam os referidos manuais. São tiragens de milhares e milhares de livros de preço elevado e aquisição obrigatória.
Nomeadamente os de português.
Que, por enquanto, vão utilizando excertos do trabalho de escritores vivos. Esses excertos são lidos, comentados e servem de base de trabalho nas aulas. Até aqui, tudo em ordem... Não fosse o pequeno detalhe de não haver pagamento de direitos autorais. Ao arrepio da lei que estabelece claramente essa obrigação como contrapartida das editoras. Todo o livro tem custos. Nomeadamente o de remunerar os autores que o integram. Caberia ao ministério da educação verificar se o manual que acabam de aprovar leva em anexo, os contratos com os autores. Caso contrário estão a contribuir para um acto ilícito.

7 de abril de 2006

O PROGRAMA SEGUE DENTRO DE MOMENTOS

Amanhã vou para a província, por uns dias. Isto é, para Portugal no que tem de mais real. Hei-de ver as árvores em flor, as cabras que tentam comer as ervas através da rede e a vizinha campestre que, segurando um saquinho com ovos frescos na mão, me virá cumprimentar como se eu fosse um astronauta acabadinho de chegar de Vénus. O que num certo sentido até será verdade...


O DRAMA DA DENÚNCIA

Ainda há nos jornalistas nacionais sentimentos de grande inteligência e de luta contra a injustiça, neste país. Num espaço de duas semanas vejo-os brandir a espada do "Censura, Não!" (mesmo que seja para chamar putas a freiras. Se alguém lhe apetecer fazê-lo, desde que se reclame como "estudioso" ou "jornalista", tem todo o direito. Enfim..., adiante) e agora a do "Vem aí a Denúncia". Isto a propósito do ar um bocadinho assustado do ministro da saúde ao anunciar o P-R-O-J-E-C-T-O de lei anti-fumo. "Que era para proteger as pessoas no local de trabalho e tal... Se os amigos deixassem, ainda veriam que não era assim tão mau... e nós não somos más pessoas, quase tudo aqui fuma...a gente até pode ceder... Sempre são milhões de euros que a Tabaqueira arrecada e com os quais se poderão pagar tantos favores políticos dando cargos na administração e assim...". Os jornalistas iam-no fumando, confrontando-o com a pergunta se ele iria "denunciar" pessoas que visse a infringir a lei? E ele lá se defendeu como pôde.
Já uma posição mais clara tem o dirigente da bancada parlamentar do PS ,Ricardo Rodrigues. O homem é obrigado a concordar porque, segundo ele, é o que se faz lá para a Europa e a malta não tem voto na matéria mas "a proposta do Governo não pode ser feita com "fundamentalismo"". Ou seja, deveria ficar ao critério dos "toxicodependentes" (ou deveria usar "psicodependentes", já que se gosta mais de imaginar que a coisa não é química, embora o seja?) e dos que lucram com isto.


Toda a gente sabe o que eu penso. É óbvio que não se pode fumar em todo o lado. O tabaco liberta substâncias químicas prejudiciais para a saúde. Logo, cada um tem o direito de as enfiar para dentro do corpo , se lhe der na bolha, mas não de as espalhar. Tão simples como isto. Como se trata de uma dependência, logo, irracional, é necessário legislar.
Quantos dos que protestam gostariam de voltar uns anos atrás ao tempo em que as pessoas escarravam para o chão, os homens urinavam contra as paredes à vista de todos, e os penicos eram despejados na via pública? Que avancem, os que querem regredir.
De qualquer forma, não se zanguem, porque há muitos interesses económicos em jogo. Logo, a lei não avançará desta forma. Os lóbis que ganham com isto vão tentar reduzir os prejuízos, dilatar a aplicação da lei e de caminho, mais alguns de nós contrairemos doenças pulmonares à conta do "prazer" de alguns.
Oh meu Deus... Será que estas palavras me condenam como "Denunciante"?... Por outro lado... ninguém poderá ir contra, porque isso seria "Censura".
É bom viver num país onde tudo é tão claro.

6 de abril de 2006

COMENTAR É PRECISO

Tenho um bocado de saudades do tempo em que as pessoas se irritavam com algumas coisas que eu aqui escrevia. Havia nessa discordância, frequentemente, um entendimento diferente do mundo ou, muito simplesmente, uma má interpretação do post.
Milhares de pessoas visitam o prazer_inculto (algumas via google com a indicação "gajas boas", é certo - mas é uma minoria) por semana. Do mundo todo onde se fala ou se entende o português. E contudo pouca gente usa a caixa de comentários.
Fico sem saber se é pelo desinteresse do que aqui é dito ou se concordam em bloco.
Qualquer um dos casos é preocupante.

ps: se a razão tiver a ver com aquela charada de reproduzir as letras e os números não se deixem intimidar. Eu próprio passo por isso quando respondo a alguém. É pateta, mas evita o spam.

5 de abril de 2006

A LEI DA RONHA

Os funcionários judiciais estão indignados. O governo emitiu uma circular que os impede de falar de assuntos de serviço com a comunicação social.
De facto, é extraordinário: primeiro, acabaram com os dois meses de férias no Verão, agora estão a tentar retirar, a muitos, a fonte de rendimentos que é a venda de informações sobre os processos em julgamento, a jornalistas...
Qualquer dia, começam a querer que se deixem de merdas e comecem a despachar os triliões de processos.
É de mais.
Greve, já!


4 de abril de 2006

LANÇAMENTO

Nem só de lixo vive o mercado editorial português actual. Muito pelo contrário. Os bons saem regularmente. Passam é o tempo todo a desviar a cara das bostas e da indiferença dos seus contemporâneos.
Adiante.
Assim, refira-se o lançamento do livro de poemas do escritor e jornalista Fabrício Carpinejar. Nascido em Caxias do Sul (no estado do Rio Grande do Sul, bem lá no fundão - cosmopolita, porém - do Brasil), Fabrício publicará CAIXA DE SAPATOS, antologia de poesia, pela Quasi. Será no dia 12 de Abril, na FNAC Chiado, às 18h30, em Lisboa.
Portinglês

A introdução do Inglês desde os primeiros anos de escola pelo governo de Sócrates já está a dar resultados. Um artigo de economia do Diário de Notícias declarava: "De acordo com o reporte enviado pelo Governo...".
Espera-se que em breve para as entregas dos mesmos relatórios se siga o exemplo dos amigos brasileiros que já só falam "delivery".
Estamos deliverados à bicharada, é o que é...

3 de abril de 2006

O REFLUXO

Enquanto assisto a um episódio do "Verão Azul", tento explicar à minha filha por que razão o Pancho se dá ao trabalho de roubar uma égua branca e de arriscar a pele, apenas para cumprir o sonho de Bea. E não consigo. O tempo do romantismo acabou. O tempo dos ideais, do estender cordas para resgatar de uma falésia um desconhecido em risco escureceu.
Vêm-me à cabeça as palavras de um grande escritor amigo: "é o refluxo". Depois da generosidade e dos ideais dos anos 60 e 70 chega a "revanche" do materialismo. Nada dialético, por sinal. O tempo das vacas com pressa.
Nada será definitivo e o coração dos homens não se aguentará para sempre suspenso no seu próprio vazio.
Mas até lá parece que a noite não terá fim...

30 de março de 2006

FEIRA DO LIVRO MANUSEADO

Anualmente, uma das melhores editoras portuguesas coloca muitos livros fundamentais à venda, a preços de saldo. É a festa da Assírio que se recomenda, vivamente.

Na livraria da Assírio e Alvim, Rua Passos Manuel, 67 B


28 de março de 2006

MIGUEL ROCHA

Basta tropeçar num livro tão bom como O TEMPO DAS PAPOILAS, para nos lembrarmos do talento do autor de BD Miguel Rocha. Bom em qualquer parte do mundo.
Só um país em que o governo escolhe para o Ministério da Cultura, sistematicamente, gente inoperacial, porque nem ele, nem o país percebem bem para que é a coisa serve, é que um autor destes passa ignorado de um público alargado.
Saiam dos centros comerciais e abram os olhos, por amor da santinha!

BRASÍLIA

Amanhã, o escritor Alaor Barbosa lança mais um livro de contos e prosas reunidas. É no Bar Monumental, BSB, SHCE/SUL, Quadra 201, Bloco C, loja 33 (parece complicado, mas este despropósito de letras faz todo o sentido quando se navega entre as asas e a fuselagem do avião...). Além de óptima pessoa, é um muito bom escritor. Amigos candangos e afins, não percam a prosa.
Eu é que infelizmente estou longe.

27 de março de 2006

KAFKA À BEIRA-MAR

Tenho um gato a dormir à cabeceira. Colado na capa do último livro do Haruki Murakami, publicado entre nós (Casa das Letras). Pela dimensão do livro e a escassez de tempo, ainda vamos passar algum tempo juntos.
Recomendo vivamente. Mesmo para quem não gosta lá muito de felinos.

A EXPLICAÇÃO DOS PARDAIS

Perguntava-me quem seria este presidente de júri que acredita que um argumento chamado "O Enigma de Zulmira" vai ser uma revelação para o cinema português. Ou que considera a adaptação de um clássico da literatura neo-realista "Bastardos do Sol" (que só na edição do Círculo dos Leitores, vendeu 80.000 exemplares...), como "uma ideia desinteressante". E que, mais gravoso do que tudo isto, assina duas actas seguidas, de dois concursos distintos que atribuem dois subsídios ao mesmo filme, a saber "Rosebud", de Carlos Saboga. Perante a impassibilidade do presidente do ICAM, do secretário de Estado e, tanto quanto pude apurar, da maioria dos argumentistas concorrentes. Não se trata aqui de duvidar do interesse do projecto, mas da inépcia do presidente do júri que no espaço de duas semanas, "se esquece" que o Estado já apoiou um filme.
A explicação para esta desatenção sonhadora veio-me, da autobiografia do senhor. Escrita pelo seu punho e publicada no site do ICAM, para consulta pública. Reproduzo, com a devida vénia.

"Paulo da Rosária ? Escrita de Argumento
Como Publicitário exaltou o perfume e a cor dos vinhos do Dão. Como
Professor de Português chorou a rir, com os alunos e com os textos do O´Neill,
do Eça e do Camilo. Paulo da Rosária, Professor de Argumento na
Universidade Católica Portuguesa há cerca de oito anos mantém um olhar puro
na avaliação da fantasia que cabe à tradição da arte do contador de histórias.
Sempre ancorada na tradição e no conhecimento da cultura portuguesa.
Escreveu telenovelas, telefilmes, sitcoms, documentários, sketches
humorísticos. Sempre a pensar na avó, na mãe e nos filhos, que são três e na
mulher que é só uma."

(sic)

ps: enquanto os concursos forem colocados maioritariamente na mão de ineptos, escritores de 5a categoria, ex-directoras demitidas do Camões e obscuros professores universitários próximos, para não dizer gémeos, de lóbis como o da Escola de Cinema, ou da área "griliana", não há, repito, não há, a mínima hipótese de melhoria do cinema português.
Serei eu a estar errado, ou pedir às pessoas que sejam imparciais, que saibam ler um argumento, ou que percebam um pouco mais de cinema do que terem visto quinhentas vezes o "Titanic", seria o mínimo exigível para um tal dispêndio de fundos públicos?

24 de março de 2006


LIVROS PARA A CANALHADA

A literatura infantil portuguesa tem mais um livro. A partir da excelente ideia de que os miúdos são insuportáveis mais por natureza do que por mau feitio, Rita Taborda Duarte e Luís Henriques lançam pela Caminho, A FAMÍLIA DOS MACACOS.
Destaque para as excelentes ilustrações (e Deus sabe como eu sou esquisito com os ilustradores portugueses...).
O REGRESSO DOS GATOS

Se forem ao arquivo do blogue, que fez (pelo menos) 3 anos, este mês, verificarão que fui das primeiras pessoas a reconhecer publicamente o talento do Ricardo Araújo Pereira. Não foi preciso ser muito esperto para tal. Bastava ver um post dele no falecido Blog de Esquerda, anterior ao Gato Fedorento, para saltar à vista a rara mistura de humor, cultura, e tiro certeiro no boneca de feira. O que se seguiu, todos sabemos. E ainda bem para a gente todos.
Regressam hoje, pela mão da RTP. O que causa alguma inquietação... Enfim, espero que a contaminação não tenha sido excessiva.
Um abraço à equipa (que não lerá este post, mas enfim, cá fica o abraço, que nisto dos afectos somos tão sovinas, que nunca é de mais insistir).

ps: para o pessoal que mora lá fora, estou a referir-me a um programa de humor :)
DE CATAGUASES

Fica em Minas Gerais, Brasil. E de lá têm saído artistas vários, ao longo dos anos. Um deles, o meu amigo Ronaldo Cagiano, enviou-me esta foto. Tirada o ano passado, durante o I CINEPORT ? I Festival de Cinema de Língua Portuguesa, que este ano será em Lagos. Ao que parece, a organização é boa do lado de lá. Por cá, não sei. Vou até esquecer o preconceito de estar a ser organizado pelo autor de filmes pavorosos como "Inês de Portugal", ou o medonho "Preto e Branco". Talvez o senhor seja melhor a organizar filmes do que a fazê-los. Deus me ouça, que o povo de Minas merece.

22 de março de 2006

2 DA MANHÃ, JÁ PASSA

Concluo o argumento da longa-metragem a partir de O NYLON DA MINHA ALDEIA. Revejo a sinopse, a caracterização de personagens, a nota de intenções... Amanhã é dia de entrega de projectos no ICAM. Mas isso é amanhã, que é hoje, mas ainda não é porque não dormi e a noite continua. E enquanto estou aqui, neste entorpecimento pós-criação, posso imaginar que este filme talvez venha a ser feito. Que o júri, por uma vez, se preocupará com a ligação entre a criação artística e o prazer do cinema. Que não terá à partida ideias fixas sobre a necessidade de "abordagens estruturalistas neo-visionárias de cariz micro-futurista", que os meus trabalhos, helàs, nunca revelam...
Ainda é de noite e estou cansado. Mas por agora, o futuro pode vir a ser diferente...

20 de março de 2006

ALQUIMISTA

Descubro num livro de Português do 8º ano (Porto Editora? Texto Editora? já não me lembro) uma lição inteirinha a partir da obra de Paulo Coelho...
Fico surpreendido... Não sabia que os adolescentes portugueses estavam a tomar contacto com contemporâneos de tanta qualidade...

Parabéns à equipa do ministério que aprovou o livro e aos professores que o seleccionaram para as suas escolas. Assim vamos longe!

17 de março de 2006

PAROU DE CHOVER EM PORTUGAL

Olhei para a rua e pensei nos que estão longe de Portugal. Fica tudo mais compreensível quando se vê à distância.
Até a saudade faz mais sentido.
A REBELDIA

Noticiava hoje o Público:
"Um grupo de rebeldes que se faziam passar por polícias mataram 21 pessoas numa auto-estrada no sudeste do Irão.
De acordo com a agência de notícias iraniana IRNA, o general Esmaeil Ahmadi Moghaddam acusou os serviços secretos norte-americanos e britânicos de estarem a encorajar os rebeldes a atacar pessoas."


A pergunta é: por que cargas de água, um grupo de pessoas assassina um grupo de civis numa autoestrada? Para roubar, para fazer um manifesto, porque ficaram malucos?
A segunda: O que significa "rebelde", na boca de membros de uma ditadura islâmica, mantida no poder à custa do assassinato de milhares de pessoas, onde as mulheres foram obrigadas a deixar todas as liberdades conquistadas e a sair à rua cobertas dos pés à cabeça?
A terceira seria: Como é que um jornal repete literalmente um comunicado destes como se fosse uma verdade jornalística...?

16 de março de 2006

A CULTURA

Gostaria de retribuir aos nossos autarcas e governantes o critério que eles têm colocado na escolha de vereadores, secretários de estado e ministros da cultura.
Eis aqui a expressão justa da minha opinião.
RIR

Nunca soube contar anedotas. Não tenho memória, logo, só me posso espetar na tentativa.
Mas, não é o caso da Pat, nos mini-filipinos, que conta esta (que reproduzo, agradecido,lol):

"D. Dinis, filho de D. Duarte Duque de Bragança, pretendente ao trono de Portugal, dirigiu-se ao pai e disse.
- Paizinho, sou gay.
- Não, meu filho - respondeu D. Duarte - EU é que sou Guei, a mãezinha é gaínha e tu és pguíncipe."

CARNAVAL É QUANDO UM HOMEM QUISER

Perante a minha perplexidade sobre a duração do Carnaval no Brasil e as consequências para o fígado e outros orgãos mais externos nas populações, recebi de um amigo baiano, a seguinte resposta:
"Não sei se esclareci o amigo sobre ponto importante de nossa cultura, então lá vai: o ano no Brasil só começa depois do carnaval; o ano na Bahia, para muitos só começa depois das festas de São João, e para a maioria não começa nunca. ".
Por cá é mais ou menos o mesmo. Sem os tambores nem as mulatas, helàs...

15 de março de 2006

CONTAR HISTÓRIAS

Para os pais que, mesmo cansados, ainda acham que é bom sentar na beirinha da cama dos filhos ao final do dia, o grupo CONTADORES DE HISTÓRIAS está a promover mais um curso.
Para melhorar ainda mais esse acto de amor estrutural.
Mais informações aqui.

14 de março de 2006

PRINTEMPS

No quintal do prédio a árvore invisível enche-se de pontos brancos. Ao pequeno-almoço reparo que cresceu. Está mais bonita, este ano, a árvore que hiberna.
No dia seguinte é toda braços e pernas, botões brancos. Não me lembro do nome dos seus frutos. Ou até se dá frutos. Deve dar, com tanta flor.
O sol encheu o quintal degradado nos dias frios. E este, aproveitador, espreguiça-se de ervas e plantas e folhas e cores.
Há primavera temporária nesta cidade.

9 de março de 2006

TUDO ESTÁ BEM QUANDO ACABA BEM :) (VIVA! HURRA!)

1. "Os cinco maiores bancos portugueses somaram, em 2005, lucros líquidos consolidados de 2,1 mil milhões de euros, valor que corresponde a cerca de 1,4% do PIB português. O Millennium bcp foi o "campeão" dos lucros, com 753, 7 milhões de euros em 2005, resultados que se encontram 40% acima dos registados pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), que ontem apresentou os números de 2005, com os seus lucros a atingirem 537,6 milhões de euros."
in DN

2. "Só que em escassos anos as famílias portuguesas, que em 1990 ainda tinham uma taxa de poupança de cerca de 40% do seu rendimento disponível, apresentam actualmente taxas de endividamento da ordem dos 118 %. No reverso desta situação, refere Lacerda Machado, está a profunda alteração da sua relação com uma série de bens que fazem com que o património responsável pelas dívidas não possa ser encontrado nas casas, hipotecadas ao banco, ou nos automóveis comprados em leasing. "
ibidem

3. "Idosos recebem um ano de subsídio já este mês
O complemento - que fará subir até aos 300 euros os apoios mensais aos pensionistas - já foi pedido por quase cinco mil portugueses, de acordo com os últimos dados apurados. 80 % são mulheres, 87 % não têm filhos, 70 % têm entre 80 a 84 anos."
(ainda no mesmo sítio... o tal ibidem, portanto)

7 de março de 2006


AS CONTA$

Não sei o que tenho... Desde que Cavaco Silva foi eleito presidente de nós que sinto uma estranha pulsão pelas contas certinhas. Eu, medíocre na matemática desde que me conheço, ponho-me agora a fazer contas por tudo e por nada.
Por exemplo: Tomada de posse de Cavaco Silva=900 convidados (fora os penetras de gravata laranja). Que comerão e beberão, não sendo de prever que o boliqueimista em questão e a sua Maria se limitem a servir uma aguardente de medronho e uns figos com amêndoas. Há-de ser coisa para os lados dos canapés, do vinho branco e, eventualmente de um razoável champanhe. Não estou por dentro do cattering (ressalve-se que pode vir a ser oferecido por alguma empresa de construção...) e dos seus preços, mas parece-me razoável que o beberete custe qualquer coisa como 15 euros por pessoa (estou a ser porreiro). 900 x 15 euros= 135.000 euros. Por baixo, muito por baixo. Acrescente-se a isto que os "altos dignatários" irão até ao palácio de cuzinho tremido, nos mercedes e bmws que todos pagamos, o que aumenta a despesa sabe deus para quanto... Mais a segurança reforçada, a farpela da Maria, upa! upa!
Perdi-me... Já não sei quanto é que vai esta cerimónia inútil...
Sou de Letras. Irremediavelmente...

ps: na verdade acabaram por ser 4000 (quatro mil) convidados. Agora é que não me peçam mesmo para pensar quantas refeições para pessoas carenciadas se compraria com essa verba!

6 de março de 2006

LITERATURA

Perco tanto tempo a comentar (pessimista,nos últimos tempos...) o país que me esqueço de falar de coisas mais importantes. Como a literatura, por exemplo.
Mais atenta e generosa do que eu, a Armandina Maia, no seu blog, luzpresença, vai divulgando o que mais lhe interessa no trabalho dos escritores contemporâneos. Fez o favor de me incluir, o que agradeço. Passem por .

A RECOMPENSA DO CARACOL

Por que não anda a Justiça portuguesa? Fácil: pela mesma razão que o resto não anda. É preciso não fazer ondas, ir picando o ponto e, quando menos se esperar, chega a reforma choruda.
Em caso de dúvidas, bastaria atentar para a listagem (que me foi gentilmente enviada por e-mail) dos reformados do ano 2005. Nove em cada dez pessoas que ganham acima dos 5000 euros mensais são juízes ou estão ligados à magistratura. Alguns com mais de 1700 euros mensais. Mas, a título de exemplo, aqui fica a listagem do mês de Agosto de 2005. Enquanto os assalariados iam para a Costa da Caparica de autocarro, eles contabilizavam.

VALOR (euros) FUNÇÃO

5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservadora Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Notário Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5043.12 Notária Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservador 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5027.65 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46 Notário Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5159.57 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Notária Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Ajudante Principal Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46 Notário 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Notária Direcção Geral Registos Notariado

Deus nos livre de precisar de uma decisão judicial que possa colocar em risco a ascensão para estas reformas de aposentação!

2 de março de 2006

UM LAMENTÁVEL MALENTENDIDO...

Há mesmo má vontade contra o pobre do Bush, essa inteligência. Agora é com o furacão Katrina.
Ao que parece foi avisado da sua chegada, ao contrário (como sempre) do que veio a afirmar mais tarde.
Fontes próximas afirmam que ao ouvir o nome "Katrina", o actual presidente dos States terá declarado:
"Eu já disse a essa mulher que a pensão de alimentos só chega no dia oito", e escondendo a cara entre os braços terá acrescentado: "Uma garrafa de bourbon! Uma simples garrafa de bourbon e vou ter que aturar esta bitch até ao fim dos meus dias!".

1 de março de 2006

O PAÍS IMAGINÁRIO

Portugal é um país curioso porque parece que somos generosos e abertos ao outro, que a Justiça funciona, que um político com ligações ao futebol pode ser preso, que as senhoras de direita se preocupam mesmo com a saúde das criancinhas e das mães das criancinhas, que existe muitos realizadores e escritores realmente talentosos ou, ainda, que os jornais se interessam por noticiar com insenção as coisas mais importantes que acontecem por cá.
É falso.
Mas só nos resta acreditar, fazer de conta, ou as lojas não dariam à conta a vender malas de cartão.

28 de fevereiro de 2006

OPERAÇÃO CARNAVAL
"Oito mortos nas estradas portuguesas" (TSF).
Boa, boa! Não foram tantos como de costume, mas já demonstra um óptimo esforço dos nossos condutores. Aposto que o número de feridos graves aumentou... Estamos de parabéns, mais uma vez, por este número imbatível na Europa.

24 de fevereiro de 2006





Um grupo de marginais adolescentes assassinou um homem, no interior do esqueleto de um prédio. Depois deitaram o corpo para dentro de um buraco. E foram-se embora.
A polícia está inclinada para a hipótese de "não ter havido premeditação". Estariam ali distraídos a atirar pedras a todo o que lhe parecesse esquisito e, nesse dia, resolveram fazer o gosto aos ténis e espancarem até à morte o homem que ali dormia. A rapaziada foi mandada para as barracas onde mora ou para as instituições que (segundo os relatos vindos a público no ano passado, e que já caíram no esquecimento) os metem a trabalhar e os enchem de porrada. Interrogados com severidade "só pararam para comer". São inimputáveis, claro. Com excepção do mais velho que já tem cu para ir para a cadeia.
Ainda bem que a fúria dos 13 adolescentes se virou contra um travesti, sem-abrigo e drogado.
Olha se tivesse sido contra uma pessoa com direitos...

DEIXA A VIDA ME LEVAR...., VIDA LEVA EU
Um amigo deu-me de presente a descoberta do samba do Zeca Pagodinho.
Quando as notícias são deprimentes, ou o dia nasceu cinzentão, eu tomo um comprimido desse cantor.
A música que me faz melhor tem o refrão que dá título a este post, continuando com "sou feliz e agradeço a vida que deus me deu".
E se a coisa não pegar, salto de faixa e junto-me à minha turma: "Você sabe o que é caviar? Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar!"



23 de fevereiro de 2006



Manuel da Costa Ataíde

Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto

A PÉ


Ia escrever sobre a dor muscular que me chateia há dias.
Mas depois lembrei-me que subi, a pé, a avenida Almirante Reis, ao anoitecer. Estava frio e o autocarro passava ao lado, mas vim a pé. Porque há vezes em que a alegria não cabe dentro de um carro. E até mesmo a pequena alegria precisa de ser passeada, como um lume que começa a acender e que se for soprado com delicadeza poderá aquecer numa noite escura.
Ia falar da dor no pescoço mas já não vou. Vou antes lembrar-me da brisa fresca a girar à volta da minha cabeça contente.

20 de fevereiro de 2006

A NOSSA ALÁ

Ainda bem que estamos muito longe do envolvimento entre a Religião e o Estado de muitos países muçulmanos.
O caso da transladação do cadáver da Irmã Lúcia é a prova disso.
As três televisões nacionais transmitiram em directo, o carregar dos ossos de uma suposta vidente. Racionalíssimo, portanto.
O meu amigo (digo "amigo", no sentido do afecto que tenho por ele e que espero recíproco) Tolentino Mendonça, belo poeta e homem sensato, defendia ontem, ou assim me pareceu, a necessidade de se olhar para Fátima como um fenómeno de fé; de iluminação interior de muitas pessoas. A bem da alegria e da harmonia universais. Ora, tudo o que venha melhorar o homem tem, naturalmente, a minha gratidão. Contudo, tenho alguma dificuldade em aceitar um movimento que nasce, obviamente, de uma fraude criada e perpetuada por um clero ansioso por manter o poder sobre as ovelhas. E que acrescenta a este pecado original um recolher alegre de milhões de euros anuais, livres de impostos, que vão parar sabe deus a que mãos e com que fins.
O homem que desenvolve a sua espiritualidade transcende-se? Certamente.
Mas não sobre os ossos de uma mentira.


17 de fevereiro de 2006

RON MUECK

Algum brasileiro caridoso me explica por que razão tantos dos seus conterrâneos entram no meu blogue em busca de informação sobre este artista plástico?

16 de fevereiro de 2006

A SOPA

A taróloga bem escreveu para o meu signo: "A carta é o Eremita. Tudo a andar para trás quando julga que vai para frente" (quer dizer, as palavras não eram bem estas... Eram até mais bonitas, que nisto da adivinhação por cartas e coscuvilhice cor-de-rosa tem nível e não se rebaixa com uma frase qualquer...).
Chego à noite depois de ter visto a casa que ia comprar (baratinha) ir parar às mãos de um malandro sem nome ( a quem, contudo, não desejo mal... Quanto muito, umas infiltrações inesperadas nos soalhos e, se não der muito trabalho à Providência, uma praga de ratazanas loucas...), de VÁRIOS condutores me terem tentado abalroar o carro e de ter visitado uns apartamentos dignos de Barbies com overdoses de Prozac.
Vou fazer uma sopa.
Ao menos, as nabiças da horta não me hão-de dar desgostos.
Talvez uma lagarta...

14 de fevereiro de 2006

NOTÍCIAS BOAS

Acabam de sair dois bons livros de amigos do Brasil.
ELES ERAM MUITOS CAVALOS, do mineiro (de Cataguases, claro) Luiz Ruffato, amigo da casa, e escritor empenhado em revirar a estrutura do romance, sai na Quadrante.


E de Porto Alegre, o amigo João Gilberto Noll, ataca com LORD, pela Palavra.
Os dois do melhor da literatura brasileira actual.
A procurar e comprar.

Esperemos que muitos outros autores brasileiros de valor, mas desconhecidos entre nós, se sigam.
ESCOLA 2

O programa de governo também se mostra muito preocupado com os processos de avaliação no ensino secundário. De alunos e professores.
Não vi, foi uma linha que mencionasse o escândalo nacional de termos um corpo docente no ensino superior sem qualquer formação pedagógica. Em resumo, poderemos ter mestres formados em Harvard, mas que na prática, não percebem um boi do acto de ensinar. Não por fraqueza deles, mas pura e simplesmente porque ninguém pensou em lhes ensinar.